quarta-feira, 13 de maio de 2009

Um começo

O começo pode ser feito de olhares, aquele olhar que encontra o meu e não diz nada, absolutamente nada. O encontro de olhos mesmo e não eu encontrando o olhar dele caindo para o meu decote ou o torcicolo tentando seguir minha bunda. Olhos nos olhos. Daí os olhos sorriem de uma forma, que só nossos olhos sabem fazer. Aí parece que a gente não cansa nunca de olhar, e tem até medo de falar, que é pra num quebrar o encanto desse olhar. Eu não consigo definir a cor dos seus olhos, mas gosto quando o sol bate nele. Gosto de sorrir seu olhar.

Pode ser um trupicão. Eu andando pela rua apressada, como sempre, e então não vejo que você está vindo na mesma linha imaginária que eu tracei como meu caminho. Que droga, eu penso! Cai meu livro no chão de tão violento que foi o choque, mas também pode ser porque eu já tava de saco cheio de carregar esse livro gigante pra cima e pra baixo, e eu só precisava de uma desculpa para derrubá-lo no chão. Daí você é gentil, como eu sempre esperei que um homem fosse gentil comigo, e se abaixa e pega o livro. Levanta, daí ainda dá aquela limpadinha básica no livro, vira pra mim e diz "puxa, não amassou, ainda bem!" e sorri aqueles dentes brancos e gentis. Me desarma. E eu só penso no seu sorriso branco, na sua gentileza e no livro que não amassou. Aí eu digo "obrigada" e continuo na minha linha imaginária. Torcendo intimamente para que seja sua linha imaginária também.

Talvez no trânsito. Quando nossos carros pararem lado a lado no mesmo semáforo. Ou pode ser lá no meu trampo, quando eu estiver te atendendo, e tentar fazer um atendimento tão perfeito que te faça voltar mais e mais vezes. Ou quando eu estiver procurando uma casa, e você for o corretor indicado por uma grande amiga ["porque ele é tão inteligente, ele vai sacar na hora a casa que você procura e certeza vai achar"], mas ah, ela esqueceu de mencionar que você é lindo também. E que mais do que procurar a minha casa, queria que você fizesse parte dela.

Pode ser num fim de dia cansada, cara da derrota estampada no rosto, praticamente deitada no banco do ônibus, tantos bancos vazios, mas você veio sentar ao meu lado. Tanto silêncio que eu precisava, mas você falou justamente comigo. Tanto desejo de silêncio se desfaz ao ouvir o som doce da sua voz.

Eu enxergo começos.
Eu vivo começos.
Eu desejo começos.
Eu ainda acredito em começos.

Eu quero saber, desesperadamente saber, quando será o meu começo.

Porque eu já cansei de viver uma infinidade de fins...

12 comentários:

iilógico disse...

é...

"Aí parece que a gente não cansa nunca de olhar, e tem até medo de falar, que é pra num quebrar o encanto desse olhar."

olha, o começo começa... no início. então não adianta dar o segundo passo primeiro!

entendeu, ô buarque?

Nina disse...

Ana, eu acredito em começos tambem.
Por mais dura que seja a vida, por mais tombo e engano que a gente tenha...
É como diz a musica...
"é impossivel ser feliz sozinho"
Eu não sou a pessoa mais indicada pra dizer isso Ana, mas CAMINHE.
Só no caminho você vai encontrar o teu começo.E paquerar no SEMÁFARO é mó legal, eu que o diga auehuaehua...
Beijos

E eu tbm to aguardando meu próximo filme começar...(com 30 anos agora vai ser tenso demais )

Andarilho disse...

Eu acho que vc anda assistindo muitas comédias românticas.

Gerundino disse...

Não sei pq eu leio os comentários antes de comentar.. Tava indo tão bem ai vem o Andarilho e avacalha com tudo, hahahaha, mas voltando.

Ahhhhhh.. as linhas imaginárias.. se ela virar ali eu falo com ela, se ela vir atras de mim eu falo com ela, se ela sorrir eu falo com ela... ela foi embora. Se eu cruzar novamente com ela eu falo com ela, primeiro passo é o mais dificil.. e o atendimento perfeito, já passei por isso.. nunca falei com ela, nunca mais vi ela, mas ainda lembro dela.

Andarilho disse...

Para avacalhamentos, eu estou sempre disponível.

Nina disse...

Se passar um carro branco, é pq ele vai voltar.
Só eu faço isso?
Não respondam ¬¬
O lance é beber mesmo gente.

Perdido disse...

Nesse caso nem acho que é avacalhação do Andarilho. Eu já falei pra Ana. precisam ver a história dela do cara que ajuda a escolher um vinho no elevador!!!

Ana P. disse...

iilógico: HAHAHA. Engraçadinho... Eu quero um começo, e acredito não estar atropelando nada... ou vc nunca olhou pra alguém e achou aquele olhar tão estarrecedor, que não quis mais parar de olhar???

Nina: Eu acredito mais naquela música do "tristeza não tem fim, felicidade sim...". Mas eu tenho sentido essa necessidade do amor crescer em mim, sabe? Acho que me cansei da solidão...

Andarilho: a última comédia romântica que eu assisti foi 'Pagando Bem, que Mal Tem?'. Não tenho nenhum amigo que queira fazer um filme pornô comigo!

Gerundino: o Andarilho é todo engraçadinho, num liga pra ele não!!! E eu desisti de encontrar o caminhante que vai seguir minha linha imaginária lá no trampo. Pq lá, eu não tenho imaginação o suficiente para criar uma linha imaginária.

Nina: eu uso o esquema das placas de carro. 00 - vou ver quem eu quero; 22 - faça dois pedidos antes que o carro saia, e por aí vai... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!!!!

Perdido: cansei de fazer demonstrações da minha mente doentia para você. Você parece ser daqueles q tb não acreditam em começo. Eu te entendo. O meu problema é q estou iludida!

Beijos, pequeninos... preciso terminar a matéria aqui na facu!

Márci disse...

Comentário básico:

PRRRRRRRRRRUUUUUUUUUUUUUUUUU !!

Desejar começos não faz mal a ninguém....Mas lembre-se de não tornar isso uam idéia fixa em sua cabeça....Just live and let live...

Ana P. disse...

Má: não entendi o PRRRRUUUUUUUUUU dessa vez, vou precisar de tradução mesmo, ahuahuahuhauhauhuahuahauhau! Não é uma ideia FIXA, sabe... mas é algo que eu to querendo mesmo, miga. Cê sabe, cê tá sempre do lado. São cinco anos, beibe... cansei mesmo de ficar sozinha SEMPRE!

Piero M. disse...

Sei lá... não espero mais por começo... nem por coisa alguma.
Cansei, simples assim.
Mas não desanime babe, vai que vai!

Ana P. disse...

Piero: precisa ter esperança. Eu que não tinha nenhuma até um tempo atrás... começo a crer!