quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Parece que foi ontem

Tenho cenas espaçadas, bem espaçadas mesmo, da minha infância. Não sei dizer, por exemplo, se foi uma infância feliz ou triste, simplesmente porque não me lembro de muita coisa. Lembro de pouquíssimos momentos muito claramente, como quando eu comi a flor de papel. A maioria são flashes que voltam à minha mente assim, do nada, ou que eu não sei dizer se aconteceu, ou se é tudo fruto da minha imaginação.

Como quando meu irmão esqueceu de ir me buscar na escola, e eu fui voltando sozinha pra casa e encontrei ele no fliperama. Não sei se isso realmente aconteceu, na minha cabeça sim. Tem algumas outras coisas que aconteceram, que eu não sei se foi bem assim que aconteceu, como a descoberta do sexo, as brincadeirinhas de tocar no corpo do outro e descobrir as diferenças. Minha memória me engana nessas horas.

Mas a infância tá longe. Pode ter sido legal ou não, mas tá bem longe. Tem coisas que aconteceram há bem menos tempo, das quais eu não lembro. Coisas do colégio, coisas que aconteceram no Mackenzie [a primeira faculdade que eu tentei na vida, e que não deu muito certo por motivos que um outro dia eu posso tentar explicar]. Do Mackenzie é o mais bizarro, pois foram meses que me marcaram e eu lembro de POUQUÍSSIMA coisa: não lembro dos professores, das zueiras, dos bares, me sinto uma inútil quando penso nisso. Lembro como conheci my person, mas não lembro [bom... mini lembro, vá] porque exatamente a gente se afastou tanto e como voltamos às boas de vez.

Continuando... das coisas que eu não lembro e que eu me sinto mal mesmo por não lembrar, a que nos últimos dias têm doído mais, é [novamente, sempre ele] o amor. Eu tive [tive?] um amor. Bonito, completo, intenso, forte, eterno. E acabou. Bah, sei lá, é tão estranho eu falar disso, escrever sobre isso, pensar sobre isso. Porque um amor que era tão forte, tão intenso, tão bonito, tão completo, tão inesquecível, entrou no limbo das minhas lembranças e acabou sendo esquecido. Eu lembro de poucos momentos que a gente teve, poucos passeios, poucas transas, pouco amor. Olhando daqui, do presente, o meu passado parece tão falso quanto nota de três reais.

Mas não foi falso, eu sei do que eu senti, eu sei que amei, e [se ele lesse isso, o ódio que tem de mim aumentaria 400%] tenho ainda um carinho especial por ele, por mais que eu saiba que não deveria sentir absolutamente nada, visto que quem fez a merda e pisou na bola fui eu. Então aqui dentro, eu sei que o que eu senti foi verdadeiro, mesmo que tenha acabado [acabado?]. Então por que não consigo lembrar? Por que aqui dentro eu sei que, se eu o visse na rua hoje, não teria certeza de quem ele é?

Pelas minhas parcas lembranças, parece que eu sempre fui solteira. Nunca amei ninguém. Mas eu sei que não é verdade. Por que minhas lembranças me enganam assim?

Então sei lá. Mais um post escrito em momento de tensão emocional. Preciso de inspiração, senão tudo vai ser assim agora, lembranças, passado, amor, não-amor, gente da bolha.

Sério, o meu coração me irrita.

13 comentários:

Kallango disse...

Da minha infância eu lembro, parece que foi ontem.
Quanto aos amores...
Para que lembrar de coisas que não fazem importância hoje em dia?
Se fossem verdadeiros não seriam lembranças, seriam realidade.
Hoje eu posso dizer: SEr solteiro é a melhor coisa do mundo!!! \O/ \O/

Menina Eva disse...

*o blogger comeu meu comentário*

Parece que assistimos a um filme, e não vivemos aquilo, não é? Eu gosto de você, eu gosto de você sempre, do que você escreve e do que você reflete, mas eu gosto ainda mais quando eu leio você e penso, "e poderia escrever isso, caso eu escrevesse bem assim." Abraço, Ana. Saudade de passar aqui.

Andarilho disse...

Eu tb raramente me lembro de coisas do passado. Quer dizer, eu mal lembro do almoço de ontem, o que dirá coisas de anos atrás.

Mas mesmo que a gente esqueça dos detalhes, certas coisas a gente leva por um booom tempo. Esse seu amor, por exemplo.

Porque se vc não se lembra dos detalhes dos momentos, se lembra de algo mais importante: de como vc se sentia.

E tenha certeza, de que essa tensão vai passar. Sempre passa. Mas, paradoxalmente, felizmente sempre volta tb.

Márci disse...

Nhá...Acho que por um lado é bom não se lembrar taaanto das coisas do passado....Pois vc pode perder muito tempo só lembrando, e querendo talvez reviver o que passou, e lamentar, e refletir sobre os "e se...". O que definitivamente não é bom.

É bom lembrar dos grandes fatos, mesmo que vagamente. COmo saber que teve sim um amor. SIM ! Vc teve ! Foi bom, vc curtiu enquanto era bom, então fique feliz por isso....

Mas as coisas não duram para sempre...felizmente ou infelizmente. Mas é a vida.

E os amores aparecem quando vc menos perceber....Entáo, relaxa, que no futuro vc terá mais amores para lembrar.

Adendo: Coleeeega...que precoce v'....kkkkk....eu nunca toquei o corpo de outras criancinhas.Ahauhauhauah !

Piero M. disse...

Como assim Nina, eu mando a Nostalgia embora e vc a recebe em sua casa, com direito a café com leite e pão com manteiga?

Sai dessa babe, curtir a nostalgia um pouco é bom, mas não vire amiga do peito dela. Ela vai te maltratar.

Márci disse...

Ops !

Chico Mouse disse...

Aninha, sério! Vai numa farmácia, tem uns produtos bons à base de ginseng ou ginko-biloba que (dizem) são bons pra essa falta de memória... hahahaha!

koster disse...

Eu me lembro de jogar super nintendo com a minha irmã, tenho um sonho disso passando sempre. Lembro de uma festa junina que eu não queria entrar pois tinham me colocado com um par que eu não queria, ai trocaram os pares e eu fui com a Patrícia (sim, lembro nome), foi legal, o menino se ferrou e foi com a que eu não queria entrar.

Eu lembro do dia que o papagaio comeu pimenta de um vaso e quase morreu, e eu tava sozinho na sala e dei polenta para ele. O bicho quase que acabou com a polenta toda.

Lembro que eu gostava de uma menina, foi um amor intenso por uns 3 anos, até que ela mudou de escola e logo esqueci.

Lembro de meu videogame mais que tudo, ainda tenho meu snes aqui, mas apenas um cartucho, o do Mario. Eu tinha Donkey Kong Country, Super Mario World e um "fake" do Sonic, que na época foi sensação, todo mundo queria jogar.

Bem, falei demais denovo.

Walquiria Biazetto disse...

hãm... sabe um motivo que faz as pessoas se esquecerem de coisas inesquecíveis?
as drogas... pare com isso menina!!
hahaha
brincadeira...
olha só. eu também. já amei muito, já chorei muito, já sofri demais, mas quando tento lembrar exatemente como foi, não me lembro, e acabo achando que quem manda em tudo é a minha imaginação.
mas também agora me veio uma coisa na cabeça. será que não esquecemos porque as feridas já se curaram, e o que importa mesmo é o presente, porque o passado já influenciou o nosso carater, e agora não tem mais serventia... seilá. viajei?
hehehehe
também estou conhecendo o espaço novo, não tinha visto esse seu blog ainda.
por falar nisso, me desculpe por aquele 'blogueiro secreto', porque, além de prometer um post pra ti, ainda atrasei o post, pouco falei e bláá... foi mal. =/
fique a vontade no meu blog novo, vamos ver se ele vai pra frente hehehehe

neutron disse...

Oi?

Oi.

Eu acho que algumas pessoas têm memória seletiva. Nada de não lembrar depois da bebedeira. É mais o negócio de não lembrar do que não precisa. Já viveu, já passou. Não tem porque ficar remoendo.

Ana P. disse...

Nossa, mesmo que eu não quisesse... por consideração e amor, vou responder um por um!

Kallango: sei lá, uma coisa é lembrar de amores, aqueles que te fizeram mal e te machucaram. Ele não me machucou. Pelo contrário, trouxe mtas coisas boas pra mim. Quem machucou fui eu. Bobagem de criança, agora já sou mais crescidinha!!!

Menina: MENINA, QUE SAUDADE IMENSA, GIGANTE, ABSURDA DE VOCÊ!! E vc acha que eu escrevo bem? Realmente, acho que vc não anda lendo as coisas que VOCÊ mesma escreve! Adoro! Nossa história se parece tanto...

Andarilho: tenho péssima memória pra coisas do passado e também de ontem. Fato. Agora, sobre a tensão emocional, é assim, é bom que ela exista, pra me mostrar que eu não sou tão seca quanto eu sempre achei que fosse. Gosto da tensão. Mas ela me irrita, na medida que me mostra que, além de ainda ter sentimentos, eu continuo tão fraca quanto antes.

Má: você me conhece mais do que ninguém, mana. Agora que te contei as histórinhas, MAIS DO QUE NUNCA! hahahahahahahahahahahaha! Você só sabe o quanto eu amei, e perdi, e esqueci, e sou feliz. Enfim...

Piero: nostalgia? Nããããão, isso atende pelo nome de INFERNO ASTRAL. Sinto falta dos seus textos... poxa!

Chico: ginseng faz bem pra memória??? Sabia disso não. Mas depois de muito matutar, acabo por achar que tudo isso que eu acho que não lembro, ou não tenho certeza, na verdade eu vivi: num dá pra inventar sentimento. Eu sou loka, mas nem tanto!!!

Koster: Cabou falando demais, nada, cabou me fazendo lembrar que na infância eu tive um Master System II [conhece?] e que, pra salvar o Alex Kidd, eu LIGUEI, isso mesmo, LIGUEI na central de ajuda, pra pedir a senha praquela tela final, onde ele tinha que pular numas pedrinhas, ou algo do naipe, tipo sol, lua, estrela, blá blá blá! HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA!

Walquiria: menina, eu parei com as drogas, falta só largar a bebida... ah, difícil, viu! Mas vai vendo, não à toa o amor da minha vida, Eddie Vedder, canta: makes much more sense to live in the present tense. Não à toa. Quanto a amigo secreto, blogueiro, blá: fica sussa, beibe! Essa parada de secreto já era, agora a gente já sabe quem somos! hahahahahahahahahahhhahaha!

Neutron: você fala tão pouco, e fala sempre bonito. Entende pq VOCÊ agora é o amor da minha vida? Por isso! :)

Beijos no corpo, people!

jujudeblu disse...

Antes de mais nada: PRUUUUUUUU!!!

Pronto.

Agora, seguinte, eu já sou o oposto, eu lembro de MUITAS coisas da minha vida, muitas mesmo, e com detalhes! Tem uma ou outra coisa que eu não lembro, que acho que entra na coisa da memória seletiva que o neutron falou...

Mas assim, tem coisa relativa ao amor que quando a gente olha pra trás entra em dúvida e resolve esquecer. Quanto a isso, beibe, eu esqueci de VÁRIAS coisas...

Mas o negócio é continuar a caminhada e buscando novas lembranças para quando vc ficar véinha a gente sentar e ficar relembrando!
[mas a cerva vc sabe que num ajuda muito a memória, né?]
[quer dizer, ajuda e não ajuda... depende do ponto de vista! hahahaha]

Bjus com sodades!

Ana P. disse...

Juju, minha xuxu: Não entendi o PRUUUUUU... cê sabe que eu sou apaixonada pelo Neutron e quero casar com ele, ele que me despreza... AHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA! Brincadeiras à parte, bão... minha memória pode até ser seletiva, mas se for, ela deveria ser MAIS seletiva...

A saudade acaba semana que vem. Espero!