segunda-feira, 4 de outubro de 2010

.tudo o que eu não sei se mistura com o que eu nunca vou saber.

Quando crianças, somos estimulados a aprender o que não devemos fazer pelo método da experimentação. Então você come terra e aprende que aquilo não é comida. Põe o dedo na tomada, leva choque e aprende que não se deve enfiar o dedo onde não foi chamado. Ouve sua mãe falando que o fogo é quente, daí vai lá e põe a mão no fogo mesmo assim. Aprende duas de uma vez: o fogo realmente é quente e que você deve ouvir o que sua mãe diz.

A gente se joga do alto de uma árvore e aprende que não sabemos voar. Se engasga com uma porção grande de comida e aprende que devemos comer aos pouquinhos. Nos perdemos da mamãe na praça e aprendemos o valor de andar de mãos dadas. Saímos correndo no meio da rua, e depois que caímos, aprendemos que é melhor ir mais devagar para não se machucar.

E quando a gente se machuca, a gente aprende que a ferida sara. Que ela não vai ficar ali pra sempre. Pode demorar, mas no final, vai ficar no máximo uma cicatriz. Como que um lembrete de algo que fizemos errado e que não devemos mais repetir.

O aprendizado pela experimentação dá muito certo com as crianças, mas em nada funciona com os adultos. Nós fazemos as coisas sempre do mesmíssimo jeito, esperando resultados diferentes, e esquecendo que no passado já vivemos isso. Ao invés de aprender com os nossos erros, nós pensamos "não deu certo daquela vez porque eu ainda era jovem, agora eu aprendi, AGORA VAI DAR CERTO".

E aí você fica de emprego em emprego, sempre achando que os seus chefes é que estão errados, você sempre faz a coisa do mesmo jeito e 'sempre deu certo'. Você começa X cursos de idiomas, curso de culinária, curso de fotografia, curso de sobrevivência da selva, e jamais termina. O problema é que o curso nunca é o que você espera, os professores não sabem ensinar. Você conhece muita gente, faz muitos amigos, mas nenhum permanece. E eles estão errados, eles não te compreendem.

Você já se apaixonou. Já viveu algumas histórias de amor. Você já saiu ferido de praticamente todas elas. E mesmo assim você insiste. Você se apaixona. Você vive o amor. E invariavelmente você se decepciona. Suas feridas de amor, todas com cicatrizes vivas em sua memória, de nada adiantam para te ensinar que você não sabe fazer isso.

Mas você insiste mesmo assim.

Talvez as feridas tenham sido superficiais demais. Talvez o fogo não tenha te queimado o suficiente. Talvez o gosto não tenha sido tão ruim. Talvez o choque não tenha sido tão impactante. Talvez a gente se perca, mas não tenha ido tão longe quanto gostaríamos. Talvez a queda não tenha sido tão dolorosa. Talvez nada disso seja o bastante para te fazer desistir.

Porque por cima de todas essas feridas, fica a necessidade que temos de aprender a amar. E essa talvez seja a lição mais dolorosa que a gente tenha que experimentar na vida.

9 comentários:

Beatrix Kiddo! disse...

Andrio Maquenzi e Lucas Pocamacha sabem das coisas.

Andarilho disse...

Vcs sabia que uma das definições de loucura é fazer sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes...

Albuq disse...

aprender é sempre um desafio e uma escolha.

bjs

Gerundino disse...

acho que aprendemos que a felicidade só existe quando descobrimos que "Agora vai dar certo" é uma mentira sem tamanho.

Ana P. disse...

@Beatrix: sabem como fazer eu pensar nessas bobagens, por exemplo...

@Andarilho: eu sei. Eu nunca achei que fosse normal mesmo. Não me surpreendo.

@Albuq: eu entendo o porque de dizerem que "a ignorância é uma benção". Esse foi o único caminho que eu ainda não tentei.

@Gerundino: nunca dará certo. Pelo menos não pra mim.

Ana P. disse...

Esse último comentário que eu respondi pro Gerundino define meus dramas. Eu sou uma pessoa dramática, beijos.

Marcos Satoru Kawanami disse...

verdade, argumentação convincente.

jujudeblu disse...

Não preciso dizer que vc continua escrevendo bem, né???
Pois é.

E, sobre isso tudo, acho que sim o amor é o que a gente quer perseguir e não deve desistir jamé.
E o complicado é quando a gente insiste em errar com pessoas que são complicadas. Exemplo: vc se machucou pq se relacionou com um doente possessivo. E vc volta a se relacionar com alguém assim. Isso é foda.
Mas a gente se machuca por se relacionar com gente diferente, meesmo que não tenha esse tipo de característica.
Certa vez escutei que o perdão é a base de qualquer relacionamento. Acho que por aí a gente começa a aprender que relacionamentos podem ser danosos mas que juntos temos que tentar solucionar esses danos, curar as feridas. Sozinhos também podemos conseguir, mas a ideia é ficarmos juntos.
Ah, falei demais! hehe...

bjs

Carina. disse...

dá errado e tal... mas sei lá. eu sou boba. tenho fé e sonho muito.