domingo, 5 de maio de 2013

hey, remember that time..

eu tento ser uma pessoa diferente, mas não adianta: eu vivo de lembranças. eu penso nas pessoas e nos sentimentos que passaram e tento associá-los ao momento presente. eventualmente eu sofro, eu choro, eu lamento, mas aí depois eu acabo percebendo o óbvio: não era pra ser.

não era pro amor acontecer, não era pra amizade durar, não era pra gente conversar mais, não era pra ser pra sempre, não era pra eu ter falado e muito menos pra você ter escutado. e aí eu penso se poderia ter acontecido de forma diferente, mas a verdade é que, se tivesse sido diferente, teria sido diferente? se eu não tivesse dito ou escutado determinadas palavras, hoje eu estaria em outro lugar? teria outro sentimento? você ainda estaria aqui? eu ainda estaria lá?

são dúvidas que chegam sempre que reviramos o passado. e como isso é uma constante na minha vida, dúvida é algo que eu sempre tenho. já ouvi muitas vezes que eu tenho que deixar o passado pra trás e viver o presente, mas acontece que, pra ser quem eu sou hoje, eu tive um passado. que eu não posso simplesmente esquecer, porque eu tenho a plena consciência de que só cheguei até aqui pelas escolhas e não-escolhas que fiz há algum tempo. eu escolhi falar ou calar, eu escolhi ir ou ficar, eu escolhi amar ou odiar. e eu escolhi e defini quais seriam as coisas e as pessoas que teriam importância na minha vida.

tudo isso eu digo pois estava lendo alguns emails antigos hoje. em alguns deles, tinha um carinho extremo do tipo "que vontade de te abraçar" e na mesma hora eu me senti abraçada pela pessoa (e o email datava de 2006). em outros, tinham pedidos absurdos do tipo "eu preciso que você me esqueça" (2009, um ano bem RISOS, só que não). e eu esqueci, porém não muito. eu esqueci o sentimento que havia por trás desse "eu preciso que você me esqueça". um dos emails tinham desejos da minha parte, de felicidades, de amor e de carinho que sim, eu sinto até hoje por essas pessoas, por mais que muitas delas não façam mais parte da minha vida (2010. e continuo amando cada pessoa a quem eu desejei isso).

eu mudei. a vida mudou. o mundo mudou. já não ouço as mesmas músicas, já não faço o mesmo caminho, já não choro as mesmas lágrimas ou rio as mesmas risadas. não dou os mesmos abraços e nem moro na mesma casa. eu mudei. pra melhor pra alguns e pra bem pior pra outros.

mas nunca vou esquecer meu passado. nunca vou deixar de remoê-lo em algumas noites de domingo regada a vinho velho e pizza requentada.

algo que mudou: já não tenho mais medo do passado. hoje eu olho pra ele e sinto vontade de abraçar e dizer: tá tudo bem agora. podemos conviver como um só. porque sem o meu passado, eu não teria o presente que tenho hoje. nada perfeito, mas que eu consigo levantar todos os dias sem o peso de ser infeliz.

e esse, nossa, esse já é um baita dum alívio na bagagem da vida.

4 comentários:

Juliano Correa disse...

Posso comentar a mais óbvia das obviedades?
Rever o passado faz a gente saber quem a gente é no presente. E às vezes ajuda a evitar cagadinhas semelhantes no futuro. Cagadas do passado: ok, é com elas que a gente aprende mesmo. Cagadas no futuro: evitar. E só revendo o passado pra conseguir ter alguma chance.
Pronto, agora pode me abraçar, ando meio carente nos últimos, sei lá, 34 anos...

Andarilho disse...

Lembrar o passado é bom, remoê-lo, não.

neutron disse...

e você vai caminhar livre com ele. como um só.

que texto lindo. acho que não tenho muito mais a dizer que isso.

:ó)

Jeronymo Artur disse...

sou desses. de e-mail, de caixas (com cartas, bilhetes, convites de aniversário e até pequenos objetos que me lembram alguma data), músicas, fotografias e perfumes. somos o ontem hoje, que seremos amanhã. :)