segunda-feira, 6 de abril de 2009

Página morta*

Tinha uma página virada na vida, que no desenrolar dos acontecimentos dava vontade de reler. Mas não era divertido reler essa determinada página, porque afinal, já conhecia aquele trecho de cor e salteado.

Uma página que já passou, que não podia ser reescrita, e na verdade, nem queria. Mas queria viver novamente, com mais intensidade, talvez com um pouco mais de vontade, de determinação. Mas não podia e nem queria reescrever aquela página. O engraçado é que reler uma página virada não tem, nunca terá, a mesma emoção da primeira vez.

Quando leu aquele trecho em primeira instância, teve uma graça, teve uma beleza, uma simplicidade e um sentimento inexplicável, daqueles que inundam o coração e vão se espalhando pelo corpo, como um arrepio leve que percorre a espinha, mas não chega a aterrorizar. Um arrepio de felicidade, talvez, de insegurança com o que vem pela frente, de não saber o que, afinal, as próximas páginas trazem.

E traziam coisas que nunca imaginou, ou que talvez imaginou, mas que no fundo nossa mente tenta não nos mostrar claramente. Surge como uma ideia pessimista e que logo é afastada, porque lendo aquele trecho, lendo aquela página virada, não tinha como pensar em nada de ruim. Tudo foi muito bom. Tudo foi muito verdadeiro. Tudo aconteceu, naquela página virada.

Veio a próxima página. E parece que todo o encanto da página virada se foi, se acabou, como se nunca tivesse existido. Vieram outras páginas. Rasgaram-se algumas páginas. Viveu três, quatro histórias diferentes numa única página.

Mas voltar pr'aquela única página, da felicidade, do arrepio, do medo e da intensidade... e descobri-la morta, passada, indiferente a tudo que é, tudo que foi e tudo que um dia será... talvez perceba que as páginas mortas podem servir de rascunho para páginas que viverão, por muito mais tempo, no seu livro de amores.

* inspirado numa única expressão de um comentário anterior e numa única história ainda não vivida. não por mim. você se reconhece aqui. eu espero

11 comentários:

neutron disse...

Só uma coisa:
=*

Andarilho disse...

Wow, o último parágrafo me deu um arrepio =P

Vc anda tão poética...

Van disse...

ui!
lindo ...

Perdido disse...

Só falta eu aprender a virar as páginas...

Nina disse...

Olha eu comentando...rs

As páginas da vida da gente, se vc parar pra pensar sempre se repetem, é como eu disse no post "Bibliotecas da vida", a mesma historia repete-se "N" vezes, mas sempre com um final diferente.
Embora a gente ache que saiba o que ta escrito no rodapé dessa página que insiste em ler, as vezes pode ter uma surpresa...boa, ruim...

beijoca =)

Ana P. disse...

Neutron: só uma coisa: thanx.

Andarilho: eu ando idiotizada. Esse é o problema. :(

Van: linda é você! ^_^

Perdido: sabe que o foda é que aprender a virar as páginas não é a solução. Porque, infelizmente, a gente sempre pode virar as páginas e voltar praonde começou.

Nina: Sempre ruim, sempre uma surpresa ruim. Não espero nada de bom para mim. Nunca.

Gente, tô na tpm. Oremos.

Pamela disse...

OREMOS.

................AMÉM.

Ana, não adianta tirar o post anterior, eu já li e quero comentar. rs

Andarilho disse...

No meu Google Reader apareceu um post e aqui não... Vc publicou e depois apagou?

Ana P. disse...

Pam: como eu disse, contente-se em comentar o que ainda está por aqui! O post ficou uma bosta, deletei, ninguém merecia ler aquilo!

Andarilho: sim, publiquei e apaguei. Me arrependi. Com o blog, pelo menos, eu tenho como deletar.

Claudia Lyra disse...

Esse seu texto pegou na minha veia... ai...

Fefa Liguori disse...

Que sabias palavras finais, Anitcha. Se as páginas do passado nos servem para fazer o rascunho do futuro, é pq realmente foram vividas, mas devem permanecer na memória.
Adorei!