sexta-feira, 17 de abril de 2009

Vergoinha

Às vezes eu tenho uma mini vergonha de falar sobre minhas histórias de criança. A maioria me causaram traumas que perduram até os dias de hoje. Outras são aquele tipo de coisa que mãe conta quando tem visita em casa, tipo seus amigos da faculdade, ou quando você vai apresentar o namorado pra família. Coisas que dão vergonha alheia, e que você gostaria de cavar um buraco na terra e se enfiar e nunca mais sair de lá.

Aprendi a conviver há pouco com uma verdade que, afinal, eu não posso mudar: o meu nascimento. Não que eu me arrependa de ter nascido [naquela época eu não poderia ter feito muita coisa contra mesmo], e nem que eu tenha sido um bebê exageradamente horrível [pra mim, todos os bebês, pelo menos assim que nascem, são horríveis]. Mas é que a história do meu nascimento sempre me deu muita vergonha. Pelo que me consta, fosse minha mãe espertona na época, poderia ter me colocado no Guinness. O livro, não a cerveja. Se bem que se ela quisesse me colocar num barril de Guinness quando eu era baby ainda...

Sem devaneios.

Acontece que eu nasci... meio que grande. Não lembro as medidas exatas, mas até onde eu me lembre [da minha mãe contar, por óbvio, afinal, num vou lembrar detalhes do meu próprio nascimento], nasci com 52 ou 54cm e 5,400kg. Sim, isso mesmo, cinco quilos e quatrocentas gramas. Para você ter uma ideia, um recém nascido saudável tem o peso pouco acima dos 2,500kg. Well, sim, eu nasci gigante. E obviamente, não, minha mãe não teve um parto normal. Imagina jogar um monstro desse tamanho pela periquita. Sem condições, né? Nasci de cesárea.

Bom, hoje em dia eu conto isso de boa pras pessoas, e estou mega acostumada com as reações: "NOSSA, ANA, NUM ACREDITO, ISSO TUDO???", ou "MEU DEUS, COITADA DA SUA MÃE, COMO ELA TE AGUENTOU, ELA É TÃO PEQUENINA!!!". Pois é, gente, num sei. Mais fácil perguntar essas coisas pra ela. Minha mãe diz pra mim que com nove meses de idade, eu tive que fazer dieta, porque eu era muito... gorda, pros padrões de um bebê de nove meses. Ela diz também que na maternidade, nem precisava lutar muito pra me achar: todos os outros bebês eram minúsculos, e eu, gigantona.

É, eu sou gigante até hoje. Qualquer um que olha pra mim percebe. Mas oi? Precisava contar essa história para todas as pessoas que passassem pela minha residência? Imagina que agradável você trazer seus amigos em casa prum churrasco e sua mãe lançar "nossa, vocês sabiam que fulano nasceu gigante, e blá blá blá"?

Outra coisa que eu morri de vergonha foi quando menstruei a primeira vez. Acho que toda menina passa meio que essa vergonha em casa, porque um dia alguém há de estudar o porquê da sua mãe TER QUE CONTAR pra todo mundo que você 'ficou mocinha'. Lembro até hoje, eu tava descendo as escadas pra garagem da casa onde a gente morava, e minha mãe e meu pai conversando lá embaixo. Quando eu apareço na escada...

Mãe: - Nossa, bem, você não sabe o que aconteceu!
Pai: - O que?
Mãe: - Sua filha P., ficou mocinha!
Pai: - Hein?
Mãe: - Menstruou, benhê, ela menstruou, agora ela é mocinha!
Pai e eu: [cara de bunda mode on]...

Tinha dez anos na época ¬¬

Tivesse sido só pro meu pai, mas contou pros meus irmãos, pras amigas dela [que toda vez que eu ligava no trabalho dela, me falavam "parabéééééns", como se eu tivesse ganhado na loteria. Grande merda ficar mocinha].

Vergonha? Magina. Quem precisa de vergonha nessa vida? Eu tô vendendo.

[aliás, nos últimos dias tenho negociado vida social. Se você tem uma, me avise. Pago bem]

12 comentários:

Andarilho disse...

Infelizmente eu não tenho nenhuma vida social sobrando pra te vender...

jujudeblu disse...

O pior é que a gente sempre torce pra nossos pais não lembrarem de falar sobre certas histórias!

Vergonha alheia não mata, né? Se matar... estou quase lá!

Vida social? Pagando bem, que mal tem? I am here! hahahahahahahaha :~P

iilógico disse...

isto anita. põe pra fora tudo. seus traumas, seu sangue...rs
assim você continua vendendo a vergonha que te fizeram passar...huauauhauha.


aqui...o que é vida social hem?


bjos de mocinho pra ti

Zaranza! FunZine!!! disse...

Vida social???
http://zaranzawebzine.blogspot.com/2009/04/eis-que-surge-os-pedallistas.html

Vergonha agente mata, vontade agente bebe e nossa histódia de vida agente inventa!!!!

Ana P. disse...

Andarilho: tô achando que você é a versão masculina de mim... e não sei porque, mas acho que isso não é lá mto bom pra você ¬¬

iilógico: as vergonhas são muitas, é que eu fico variando de blogue pra num juntar todas as histórias em um blogue só. Fica tipo chato, néah??? hahahahahahahahahaha! Eu num lembro mto bem o que é vida social, mas eu lembro de ser divertido!

Juju: Minha vida social se resume à minha vida acadêmica. E o que me deixa meio triste, é que eles num bebem tanto quanto a gente! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Mas eles são divertidos tanto quanto. Quero juntar tudo numa coisa só em breve \o/

Zaranza: seu nome me lembra Gogol Bordello. Por causa das músicas, perceba. Se sua curiosidade for mto grande, comece ouvindo a música "Super Taranta". Hahahahahahahahahahaha!

gostei do "vontade a gente bebe". Vou ali encher a cara e já vorto!

Aline Bottcher disse...

aninha, beibe!
existem algumas vergonhas que td mundo passa igual.. gente, esse treco de mãe falar 'ficou mocinha'.... gente, como que pode?

E na real.. eu ADOREI esse post...

Márci disse...

Ahahahahaha !!
Realmente os pais gostam de nos envergonhar em certas situações...mas acho que eles não têm essa intenção...acho que no fundo era para a gente se orgulhar desses fatos escrabosos.

Van disse...

Well, eu tô acostumada. Pq no fundo, eu sou a que todo mundo tira sarro, seja num almoço com tios e primos, seja com gente nova no pedaço, seja só entre nós. E eu nem ligo mais.
Ah, não se preocupe. Eu tb nasci com quase 5 kg ... e minha mãe fez parto normal ... hahahahaha!! E olha q ela é pequena hein?
Hoje eu me divirto com essas coisas, pq não acho que seja algo pra constranger, e sim lembranças de coisas engraçadas. Família é isso aí ...

Chico Mouse disse...

Mas mãe não tem jeito mesmo, puta merda... a minha tb vive falando umas coisas nada a ver de mim pros outros...

Ainda bem que até hj ela não contou pros da vez em que eu fiz coco nas calças na época do colégio e... OPA! TO FALANDO DEMAIS!! KKKKKKKKK!!

Piero M. disse...

Nem me fale dessas coisas... fui com minha familia num restaurante pra comemorar meu aniversario e o assunto principal da fanfarra fora histórias de momentos nada agradaveis para mim...

Deveria ter ficado em casa...

Ana P. disse...

Aline: bom te ver de volta, beibe! Tô na luta contigo, cê sabe! E mãe... só muda de endereço, é foda!

Má: era pra se orgulhar? Sério, tem coisas que não me são lá grandes orgulhos na vida!

Van: mas tem coisas que só mãe e pai sabem da gente, e que deveria continuar assim. E não serem espalhadas aos quatro ventos!

Chico: conheço essa história do cocô nas calças! Sério, foi quando eu te conheci, foi com essa história! E eu literalmente me caguei de rir!

Piero: Quando levo minha família pra almoço, ou qquer coisa junto com amigos, deixo todo mundo distante um do outro pra evitar essas lembrancinhas toscas! hahahahaahhahahahaha!

Estou ausente, gatos e gatas. Cansei...

I-Pixel disse...

Ana, acho que entendo sua dor.

Olha, esse negócio de bebê grande até que não me dá tanta vergonha quanto essa "necessidade" de contar pra todo mundo (de preferência a ala masculina) que você "já é mocinha".

Acho que minha Mommys, se pudesse, teria sentado no banquinho do ponto de ônibus para falar a todos os transeuntes que sua filha tinha virado mocinha. xDDDD