quinta-feira, 4 de novembro de 2010

eu posso até morrer de fome se você não me amar

Acho bonito esse amor dependente, esse amor do tipo "se você não estiver comigo, eu morro". "Dependo de você para viver". Tô pra dizer que isso não é pra mim, mas acho muito bonito.

Acho mais lindo ainda quando acaba, porque não sei se vocês sabem, mas toda história de amor eterna um dia acaba.

Vejo muito isso no meu dia a dia. Na faculdade, gente que já passou por três, quatro amores num período de três anos, e que a cada nova paixão, tem a certeza de ter encontrado o amor da sua vida. São declarações arrebatadas, desesperadas, são amores reais, difícil acreditar que aquilo tudo pode não ser para sempre. São palavras choradas, cantadas, verbalizadas ou gesticuladas, é tudo muito... PALPÁVEL.

No trabalho, vejo amores tão necessários para a sobrevivência que fariam fulana sair do Brasil, passar quatro anos em Cuba, apenas para acompanhar o grande amor da sua vida. O homem de toda a sua eternidade. Fico pensando na sorte dessa menina, de encontrar um amor tão verdadeiro aos 17 anos. Faz com que eu quase acredite que esse negócio de amor não tem idade.

Na rua você ouve histórias de gente que mata por amor. Gente que foge de casa, que se joga do viaduto, tudo numa tentativa de extravasar um amor que não cabe no próprio peito. Gente que segue o ser amado, que não aceita um possível fim, que se acha incapaz de amar qualquer coisa que não seja ele. Que não venha dela. É amor demais.

Não tem como não acreditar em amor demais. Não tem como não achar isso lindo. Não tem como não querer isso para si.

E ainda assim, eu olho com desconfiança pra essa beleza toda. Acho problemático ocupar a maior parte do meu dia a pensar em alguém que eu nunca poderei saber se está pensando em mim. Não gosto da ideia de amar com tanto desespero alguém que é humano, e que por ser humano, é passível de falhas. Falhando, pode me decepcionar. E decepção mata qualquer amor.

Amar demais é bonito, mas não é real. Ao menos para mim, eu prefiro um amor mais simples, mais discreto, menos gritante, não tão colorido. Um amor calmo, que possa sobreviver sem a minha presença, mas que consiga sentir minha falta na ausência. Eu prefiro tranquilidade, prefiro sossego, prefiro o amor.

Autêntico
Moroso
Original
Racional

Ainda que você me diga que a racionalidade não combina com o amor. Eu acho que combina mais do que o desespero.

Exagerado
Jogado aos seus pés eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado

8 comentários:

Andarilho disse...

Isso aí é paixão, não necessariamente amor. E paixão = burrice.

Gerundino disse...

sou obrigado a concordar com o Andarilho... isso é paixão.

Não confio em pessoas que encontram o amor aos 17 anos de idade. Isso non ecziste.

Na real... amor não existe.

Beatrix Kiddo! disse...

Eu, apesar de ser uma pessoa de extremos, ainda não sei o que é o amor. E olha, juro que não tenho tanta curiosidade em descobrir assim. Amor é igual a caviar para mim. E tal qual Caviar, não tenho a menor vontade de experimentar.

(Queria ser mais inteligente para poder comentar inteligentemente num texto tão sagaz como esse)

Carina. disse...

Como ouvi por aí, concordo com você EM GÊNERO E NÚMERO IGUAL. haha! ;D

E digo uma coisa, viu: nos amores calmos também há momentos de desespero. Mas são momentos raros, do tipo que você não vai esquecer. E por isso mesmo, maravilhosos. Não é uma doença, são febrezinhas esparsas. :)

"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."

Tô toda na pegada poesia hoje...pós semana de Letras na faculdade, daí já viu! haha

Márci disse...

Escreveu tudo amiga! E sabe que compartilho desta mesma idéia.

Cristal - a louca. disse...

Eu amor assim também, desesperadamente, dramaticamente, bebadamente, não posso viver sem ti, meu amor, meu amor meu amor, e como todos os apaixonados loucos achamos fielmente que essa é a tampa da panela e o amor eterno durará realmente eternamente. Que se for pra não ser assim, não tem graça!!!!!



Imagina que coisa, fulana morreu de amor!!!



Mas entendo seu ponto de vista, amor e desespero não combinam realmente.

Beijundas flor!!!!

Ana P. disse...

@Andarilho: a gente dá nomes diferentes pras coisas, mas no final vamos todos morrer mesmo.

@Gerundino: ainda acho que o amor existe. Mas aos 17 anos, não acredito que a gente faça muita ideia do que seja isso.

@Beatrix: o meu problema não é querer conhecer o amor. É querer entender. E é por isso que sou péssima com sentimentos, eu me esforço para entendê-los. Quando em sua grande maioria, eles não tem explicação.

@Carina: hahahahahaha! Eu falo falo, mas gosto de uma febrezinha de vez em quando. Dá um certo movimento à vida.

@Má: por enquanto a gente tá nessa pegada, de querer o sossego e a tranquilidade. Mas vai saber, né? É bom não cuspir pra cima, kkkkkkkkkkkk!

@Cristal: pois é, esse amor desesperado, necessário, louco, é divertido. É mais que divertido, é gostoso. Mas não pra sempre. Eu acho. Sei lá!

Mas como dizia outro poeta, todas as formas de amor valem a pena, né. Algumas doem, outras não, mas todas valem a pena.

disse...

Bah que texto perfeito!

Adorei!