domingo, 29 de abril de 2012

longe do meu lado

olha, eu não sou de correr atrás, ok? bom, o fato é que durante muito tempo eu corro atrás. eu procuro. eu busco saber a respeito, saber onde, como, quando e com quem.

eu quero saber se você tá bem, se tá precisando de ajuda, se tá se dando bem no trabalho, na faculdade, na vida em geral. se resolveu aquela velha rixa com a família, se conseguiu conquistar seus sonhos. eu quero fazer parte da sua vida, e na maior parte do tempo, eu quero que você faça parte da minha vida. eu quero que você se interesse tanto quanto eu me interesso. pode até ser menos, mas gostaria de saber que em algum minuto do dia seus pensamentos foram meus.

talvez seja um nível elevado de carência, ou de necessidade do outro, mas às vezes eu me sinto assim.

mas como eu dizia. eu não sou de correr atrás a partir do momento que eu canso. e é bem difícil conseguir o afeto de volta depois que eu canso. até poderá existir um pouco de afeto do tipo que se deve ter por qualquer ser humano. mas não haverá a preocupação. não haverá o querer saber. não haverá o me importar. eu cruzarei com você na rua ou nas redes sociais e quem sabe eu te conceda um educado "olá". mas não espere que eu continue sendo uma pessoa que necessita da sua atenção.

muito além da sua atenção, eu necessito do seu respeito. e respeito é algo que nunca combinará com desprezo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

.porque não existe coisa mais nociva que o idiota de iniciativa.

Não consigo mentir para os outros. Tenho essa dificuldade em esconder quando estou irritada, quando algo não me agrada, quando não estou plenamente feliz. Eu não falo, mas não escondo. Minha cara é a pura expressão da verdade. Mas o mais engraçado aqui é que eu não consigo mentir para os outros, porém engano a mim mesma que é uma beleza.

Então nessas mentiras que eu me conto, eu acho que as pessoas são capazes de mudar. Eu demoro, mas acabo dando um voto de confiança porque acredito que o tempo ensina. Acredito que o passar do tempo e as vivências humanas ensinam sobre como não mais errar com alguém que confia na gente. Eu acho lindo, porque eu vivo dizendo pra vocês que não se pode confiar em ninguém, e eu dou essa porra desse voto de confiança. E aí vocês já sabem o que acontece, invariavelmente eu tomo no meu lindo cuzinho.

Aí eu penso que a essência humana é a falsidade, é se aproveitar da bondade alheia, é pisar no outro e sugar tudo o que for possível, até deixar o outro destruído e sem forças nenhuma para se reerguer. Aí eu me levanto. E quando eu me levanto, eu vou e dou a cara a tapa de novo, e vou me decepcionando eternamente nesse ciclo sem fim.

Dito isto, você me pergunta por que eu não paro com isso. E é bem fácil de perguntar isso, porque eu mesma me pergunto praticamente todos os dias. Por que eu não paro de ser assim, por que eu não mudo, por que eu não tento fazer de forma diferente. E tão fácil quanto perguntar, também é fácil responder.

Porque eu sou idiota.

É puro e simples assim, não há outra explicação e nem foram necessários anos de terapia para entender essa verdade. EU.SOU.IDIOTA. E quando eu aprendi a lidar com isso, quando eu entendi a essência da minha idiotice, eu passei a sofrer menos com cada uma das decepções que os humanos me proporcionam. Porque é a única grande expectativa que eu tenho na vida: as pessoas invariavelmente, em maior ou menor grau, vão me decepcionar. E muito provavelmente eu decepcionarei as pessoas, porque elas esperam que eu aprenda, que eu não cometa os mesmos erros, ou que eu seja madura, ou qualquer caralho desses. As pessoas esperam algo de mim, e eu as decepcionarei. Não por maldade, nem conscientemente. Faço porque sou idiota.

Por mais que não haja expectativas, algo a gente sempre espera. Quem não espera mais absolutamente nada da vida, espera morrer. E cada dia que você acorda, é uma grande decepção. Aceite. Expectativas estão aí, para nós, idiotas, ou para os grandes senhores da consciência e da razão. Um dia eu já quis ser igualzinho a vocês, e durante muito tempo neguei essa minha condição.

Mas não dá. Hoje, assumo.

Brasil, eu sou idiota.

domingo, 18 de dezembro de 2011

if you never say your name out loud to anyone, they can never ever call you by it

então eu não vou fugir ao clichê e vou fazer sim o balanço final de 2011 e minhas expectativas para 2012.

a julgar pelo início do texto, esse foi mais um ano em que eu não aprendi absolutamente nada sobre criar expectativas. sim, eu continuo acreditando que algo de bom irá acontecer, que as pessoas vão me surpreender (pro bem) e que no final as coisas darão certo. acredito que o dia em que eu perder essas expectativas, eu provavelmente não terei mais motivo pra existir. e como eu sou cagalhona, vou preferir esperar algo de bom do que dar um fim a tudo.

algo de bom aconteceu esse ano. uma é que a faculdade finalmente acabou, não foi a glória que os filmes hollywoodianos nos ensinam, mas foi um tempo feliz, no somar de todas as contas. eu ganhei pessoas, eu perdi pessoas, eu ganhei experiência, eu aprendi e errei muito, e nem estou falando sobre o meu profissional. o mais importante, eu pude me conhecer melhor e me aceitar mais. isso não quer dizer que eu me ame e esteja muito feliz comigo mesma, mas eu aprendi a aceitar mais. isso é importante pra alguém estranho como eu.

fui promovida no trabalho, e apesar de, em alguns dias, ainda pensar que fiz uma grande merda, estou feliz porque estou aprendendo muito. principalmente a assumir responsabilidades. meu novo serviço exige isso. estou tendo momentos difíceis, principalmente no que diz respeito a aceitar as diferenças entre as pessoas. a depender das pessoas. a não me considerar tão autossuficiente.

não me considerar tão autossuficiente vem a calhar muito bem com a terceira e maior novidade do meu ano: eu comprei um apartamento. eu, eu mesma e meu ego. estamos aí nós três em processo de mudança que, se tudo der certo, acontecerá até o final de janeiro. tive que lidar com reforma, documentação e outras coisinhas que foram dando errado no meio do caminho, ao mesmo tempo em que tive que lidar com tcc. e com mudança no emprego. não foi fácil, nem um pouco fácil, e não tenho a menor vergonha de dizer que não foram poucas as noites em que eu chorei até dormir, em que eu rezava pra engasgar no choro e morrer logo, porque eu não tava pronta pra tudo isso.

se houve um ano da minha vida que eu definitivamente não vou esquecer, foi 2011.

eu cresci. eu aprendi, na verdade, que crescer é um ato contínuo e que eu vou ter que continuar fazendo isso, provavelmente pro resto da vida. aprendendo a lidar, aprendendo a compartilhar, aprendendo a pedir ajuda, aprendendo a ser decepcionada, aprendendo a não decepcionar. ainda não entendi o porquê de tudo isso, mas percebi que isso é algo que vamos fazer sempre, vamos sempre aprender. eu finalmente fui uma pessoa melhor em 2011. se não para os outros, ao menos pra mim.

resolvi chegar ao final de 2011 e não negar as mágoas e rancores que tenho na vida, mas também resolvi que nenhuma mágoa ou rancor vai definir quem eu sou e qual será o meu caminho. resolvi chegar ao final de 2011 sem negar que sou dramática, sim, e que quando as coisas não saem do meu jeito, eu choro muito e fico querendo jogar tudo pro alto e morrer, mas também não vou negar a mim mesma uma chance de acertar tudo. resolvi chegar ao final de 2011 e assumir que eu não estou pronta pra esse negócio chamado vida, mas que é isso que tem pra hoje e que é melhor eu me arrumar e viver.

resolvi chegar ao final de 2011 amando a bagunça que eu sou, interna e externamente. e resolvi que em 2012 eu vou começar a arrumar essa bagunça, interna e externa, da forma mais tranquila que possa haver.

e que se eu não conseguir, se as coisas não saírem do jeito que eu espero, se tudo der errado e minha unha quebrar no meio do caminho, eu vou chorar, eu vou lamentar, eu vou fazer meu drama. mas vou levantar a minha cabeça e viver.

é o que tem pra hoje.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

.everyday she falls in love and everynight she falls when she does.

Não é difícil se apaixonar. Basta dar uma característica especial a qualquer objeto ou pessoa. E todos os dias você começa a reparar nessa característica especial de uma forma mais... apaixonada. Isso é apaixonar, é tornar algo comum em algo especial.

Nos apaixonamos pelas coisas mais medonhas e idiotas possíveis e se assim não fosse, não seria paixão. Porque é isso que uma paixão tem que ser, medonha e idiota. É uma risada que a princípio você acha besta, aí no dia seguinte você já acha engraçadinha, aí no dia seguinte você fica o dia inteiro sem ouvir a risada e já sente falta, e a partir desse ponto você se tornou uma presa fácil da paixão.

Piadas, mal humores, sarcasmos, silêncios, uma camiseta, um gosto musical, um doce diferente, ou mesmo uma empatia inicial sem motivo algum, tudo é motivo para se apaixonar por alguém. Distâncias, proximidades, "ah, mas ele não combina comigo", "ah, mas ela não é o tipo de garota que eu quero pra mim", é paixão, amiguinhos, e infelizmente todos estamos propensos a sofrer dessa doença. Medonha e idiota.

Mas paixão que é paixão tem que ter sofrimento. Tem que sofrer de saudades, de medo de não ser correspondido, de carência, de raivinhas e ciúmes. Tem que ter sofrimento, senão nem é paixão. Que é o que talvez diferencie a paixão do amor. O amor é mais tranquilo, mais sossegadinho, paixão tem que ter aquela dose de novela mexicana.

Paixões acabam. Tão idiotamente quanto começaram, um dia você ouve a risada e ela não é mais especial. Você ouve as piadas e elas já não tem a mesma graça. O mesmo gosto pra músicas deixou de ser um diferencial, quantos outros milhões de seres não curtem esse mesmo som?

Sempre achei que paixões acabavam apenas porque o desprezo cansava. Ou porque era substituída pelo amor. Mas não.

As paixões tem sido como minhas dores de cabeça: tão misteriosamente quanto começaram, elas terminam e não deixam mágoas. Apenas o medo de que estou vulnerável. E que a qualquer momento, a dor voltará.

domingo, 28 de agosto de 2011

Precisa-se

Às vezes eu pego uma palavrinha qualquer e vou destrinchando pra ver até onde eu chego. Só muito tempo depois de ficar pensando sobre essa palavra, suas origens e sua utilização, é que vou buscar no dicionário, fica até parecendo um teste de quão inteligente eu sou.

Eu penso demais da conta, isso deve ser um sinal de inteligência. Ou de falta de louça pra lavar.

O que importa é que hoje acordei pensando que precisava acertar determinado fator da minha vida. Aí pensei em precisar, preciso, precisa-se. Do que tanto precisamos? E realmente precisamos de tudo o que achamos que precisamos?

Precisar de algo é dar um valor inestimável, realmente precioso a essa tal coisa, a ponto disso ser imprescindível para sua vivência. É bem diferente de querer algo. O 'qualquer' se torna tão valioso que não tem como você não querer. Quando eu digo que preciso de dinheiro, é que "dinheiro" se tornou tão inestimável na minha vida que eu não posso deixar de querê-lo.

Existe realmente algo que possamos precisar assim? Que seja impossível deixar de querer? Eu preciso respirar, preciso me alimentar, no mundo capitalista em que vivemos preciso sim, de uma certa quantidade de dinheiro, mas o que mais? O que é que se torna tão precioso pra gente a ponto de não ser possível deixar de querer tal coisa?

A minha lista de precisões é bem utópica: preciso sorrir, preciso de amigos, preciso escrever, preciso pensar, preciso trabalhar, preciso ficar quietinha às vezes, preciso falar muito outras vezes, preciso caminhar pra espairecer, preciso de um tempo das pessoas, preciso que algumas pessoas não me deem tempo. Eu preciso ter um canto pra chamar de meu, preciso me sentir bonita pra sair na rua (nem sempre o MEU bonita combina com o SEU bonita, vai vendo).

Uma vez ou outra, preciso conhecer lugares novos, ver o nascer do sol, me apaixonar, chorar, chorar de rir em momentos inadequados, de um abraço, de uma carta, de uma surpresa, de liberdade pra fazer o que eu bem entender, mesmo que seja absolutamente nada. Preciso me desligar do mundo, sem celular, sem computador, sem televisão. Preciso de um lugar onde nada disso esteja disponível num raio de quilômetros.

Algumas vezes eu preciso ficar sozinha. Mas na grande maioria das vezes, eu preciso compartilhar com alguém. E não preciso de alguém especial: as pessoas que escolhi pra minha vida são justamente as que eu mais preciso. São mais do que especiais.

São precisas.

[adj (lat praecisu) 1 Necessário. 2 Certo, determinado, justo, exato, fixo. 3 Certeiro (tiro). 4 Claro, distinto, formal. 5 Conciso, lacônico, resumido. Antôn (acepção 4): impreciso, vago. sm Aquilo que é necessário, indispensável.]

quinta-feira, 7 de julho de 2011

.eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada.

Não sei como a vida poderia ser mais simples do que isso.

Se eu digo "eu gosto de tomates", o que eu quero dizer [salvo alguma ironia implícita no modo de dizer a frase] é que eu, um ser vivente deste planeta, gosto de tomates, que uns dizem que são frutas, outros dizem que são verduras. Mas que se foda. EU.GOSTO.DE.TOMATES.

Nada poderia ser mais simples do que isso.

Se eu digo "não estou afim de sair/conversar/etc.", é porque eu não sei de que outra maneira eu poderia dizer que, no momento, eu não estou com a menor vontade de me movimentar para outro lugar que não seja o que eu estou no momento. Ou que eu não sinto a menor necessidade de gastar meu verbo, seja com quem for. Ou etc.

Se houvesse maneira mais simples de dizer isso, eu diria, juro. Mas não há. É a maneira mais simples que eu encontrei.

Digo [e demonstro de uma forma que, vindo de mim, é escandaloso de simples] que eu gosto de alguém, e meu amigo, minha amiga, se eu te disse isso, ACREDITE. É verdade! E será por muito tempo, mesmo que você me magoe, mesmo que eu tenha o coração quebrado, mesmo que você faça ou diga algo que eu desaprove, você me conquistou já, eu gosto de você. E provavelmente continuarei gostando. Não adianta querer provas maiores do que o simples "eu gosto de você". Até porque, eu não gosto de muita gente nessa vida. Não sairia dizendo pra qualquer um.

Às vezes eu vou cantar uma música qualquer, ou falar qualquer coisa sozinha, por favor, isso não é sinal de nada, além da minha indisfarçável loucura. Eu falo sozinha, canto sozinha, rio sozinha e choro demais sozinha. Não, não estou apaixonada, não estou escondendo nada, estou apenas sendo ridiculamente eu mesma.

Pode ser que você e eu estejamos no mesmo recinto, ou até na mesma mesa de bar, e olha, eu quase não olhei pra você ou mesmo falei com você. Não, eu não te odeio. Não, não tenho nada contra você. Não, não aconteceu nem está acontecendo nada. Eu só... estou aqui. Apenas isso. Estou existindo neste lugar, como existo em vários outros.

E quando eu digo "sinto saudade", é horroroso de tão simples que é. Você sumiu e eu sinto sua falta. Precisa mais do que isso?

[digo muitas outras coisas também da forma mais simples que eu conheço: dizendo. mas nós somos tão viciados em longas explicações e infinitas discussões de relacionamentos, que estamos sempre, a todo momento, com a pergunta mais idiota de todas na ponta da língua: O QUE SERÁ QUE ELE/ELA QUIS DIZER COM ISSO? if you have to ask, don't ask. isso é tudo.]

vale dizer: isso não é uma indireta. é um post de um blog inútil. só.

domingo, 26 de junho de 2011

Ouro de Tolo

E tem a fase em que você procura algo para preencher o vazio que fica. Então você acha que tem que ir para várias baladas e não ficar nunca em casa, e isso até preenche o vazio, mas vai existir um momento em que as baladas vão cansar. Aí parece que o vazio fica maior. Então você procura um substituto para baladas.

Compras. Você começa a comprar de tudo e o seu cartão de crédito vira o seu melhor amigo. Cada nova compra é uma felicidade que completa seu coração e você fica feliz quando estreia o que quer que tenha comprado: uma roupa, um calçado, um novo celular, um carro, uma casa. Mas aí chega uma hora que comprar enche o saco e o vazio fica maior ainda, precisamos de um substituto pras baladas e pras compras.

Viagens. Você quer viajar, conhecer novos lugares, conhecer novas pessoas, novas culturas, tirar fotos para encher suas redes sociais de diversidade e de invejas. Você vai do Oiapoque ao Chuí, cruza os sete mares, visita o novo e o velho mundo e ainda assim, quando você chega em casa, você percebe que o vazio continua lá, acenando cruelmente pra você junto com todas as fotos e todas as compras e todas as baladas.

Um novo amor, novos amigos, uma nova mania, um novo projeto, você vai criando formas de fugir do vazio, mas não consegue criar um jeito de fugir de você. De entrar no vazio e ver o que tem de tão assustador ali que você não quer conviver com ele de jeito nenhum.

O vazio que fica é na verdade o vazio que sempre esteve lá, porque o vazio é você. Você não se preenche de amores, de amigos, de baladas, de viagens, de bens materiais. Tudo isso é superficial, e não me entenda mal, não se pode viver sem isso. Mas isso não é você. E você só pode se completar quando você se encarar: seus medos, seus sentimentos, seus sonhos, seus desejos, suas incertezas.

Não é o mundo que está errado, não são as pessoas que estão erradas. Sou eu que ainda estou vazia de mim.

...E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte para o nosso belo quadro social...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

.I've got a secret... I can't tell you.

É como se todo mundo soubesse de alguma coisa que você não sabe. Como se viver fosse um grande segredo que todo mundo compartilhou, mas resolveu te deixar de fora porque, sei lá, te acham fofoqueira.

Porque você vê, muita gente passa pelas mesmas coisas que você passa. Muita gente passa por coisa pior! E lida com tudo isso com um belo sorriso no rosto, ou sem incomodar ninguém com ladainhas e mimimisses, sabe? As pessoas VIVEM, porque aparentemente elas sabem de algo que você não sabe.

E viver com isso é muito chato. Achando que você tá fazendo tudo errado e que você tem que se fuder pra descobrir como fazer o certo, porque ninguém vai te contar. E a verdade é essa mesmo, ninguém vai te contar como viver. Ninguém vai te contar como superar seus trauminhas de bosta, ninguém vai te ajudar a encontrar um objetivo, ninguém vai te mostrar o caminho menos tortuoso para a felicidade.

Você chegou no final da festa e ninguém te guardou um pedaço de bolo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

.the end has no end.

É o fim.

Ouvimos a palavra "fim" e o sentimento pode ser de alívio, de melancolia, de saudade, de impotência. O fim pode ser comemorado ou lamentado, a depender do que ele finda. Um relacionamento, um almoço, um livro, uma canção. É o fim.

O fim de um parágrafo dá início a outro que em breve também findará.

Fim significa mudanças. O que acabou não será mais, e algo irá substituir ou faltar a partir daquele momento. Se acabou o doce, é hora de procurar outro, ou malhar para dar fim às calorias adicionadas ao corpo. Acabou o amor, vamos curtir a solidão ou dar início à busca de um novo fim.

Fim significa passado. Não existe o fim no futuro, pois não podemos prever o fim de nada. Você começou a ler um romance hoje, mas não sabe se acaba amanhã ou apenas daqui um mês, se é que vai chegar ao seu final. O fim foi. Um dia será. Mas não sabemos quando.

É o fim de uma era, é o fim de semana, é o fim dos tempos, é o fim da linha, é fim de carreira, é ponto final, é no final das contas, é para pôr fim na conversa, fim, finito, findou, fincou.

Dizem os entendidos que tudo o que um dia começa, um dia acaba. Que nada neste mundo é para sempre. Até nas metamorfoses da vida, algo se finda para que outro se inicie. Nenhuma transformação é efetiva se não houver o fim de qualquer coisa envolvida.

Quantas vezes desejamos o fim, e ele não chega? Quantas vezes não queremos o fim, mas ele se mostra? Quantos fins viveremos até o fim da vida?

Ainda não é o fim. Mas todos os dias eu acordo com essa sensação de que algo acabou em mim.

Deve ser o sono.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

.pra você, isso tanto faz.

Ser tantas, e ao mesmo tempo não ser ninguém.

Ter muito, e ao mesmo tempo não sentir nada.

Querer mais, e ao mesmo tempo precisar de menos.

Não ter tempo, e ao mesmo tempo ser desocupada.

Amar, e ao mesmo tempo odiar.

Ter vontade, e ao mesmo tempo silenciar o desejo.

Precisar, e ao mesmo tempo não buscar.

Doer, e ao mesmo tempo continuar.

Muito barulho no meio do silêncio. Muito choro no meio do riso. Muita alegria no meio do luto. Muito doce junto com o amargo.

Muito falar e pouco agir. Muito pensar e pouco praticar.

Todos os erros e todos os acertos. Todas as manias e toda a falta de padrão. Todos os palavrões e todas as orações. Toda a luxúria e toda a timidez.

O que foi, o que é, o que será, e o que nunca existiu.

O talvez e a certeza.

O que eu já fui. O que eu sou. O que eu serei.

O simples e o complicado.

Sempre igual e sempre diferente.